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O resultado foi um sistema incrível chamado Drop by Drop

São Paulo – Depois de estudar sobre a crise de água nas florestas centrais da Índia, seu país natal, Pratik Ghosh resolveu criar uma maneira natural de filtrar água suja para seu projeto de conclusão de pós-graduação em design no Royal College of Art em Londres. O resultado foi um sistema incrível chamado Drop by Drop, que utiliza o poder das plantas no processo de purificação.

Ele se inspirou no funcionamento da natureza para fazer isso. No meio ambiente, as plantas atuam como um filtro natural para água e solo, um processo que se chama fitorremediação. Grosso modo, quando a água do solo é absorvida pelas raízes das plantas, ela passa através de xilemas, que são tecidos condutores do sistema vascular da planta.

Nessa jornada, as partículas poluentes da água – como metais pesados, nitratos e outros poluentes grandes demais para passar pelo pequeno tecido vascular – ficam presas nas raízes e não podem seguir para o resto da planta. Segundo o designer, esse processo natural funciona tão bem para descontaminação quanto os sistemas de nanofiltração artificiais mais avançados.

Além da fitorremediação, o sistema usa uma outra propriedade das plantas, chamada bomba biótica, que ocorre em regiões tropicais como a Amazônia. De toda água que a floresta “consome”, ela retém apenas uma pequena porcentagem, a maior parte evapora através das folhagens, retornando à atmosfera sob a forma de vapor de  água.

A diferença entre o ar úmido de baixa pressão e a alta pressão dentro das plantas acelera o processo de transpiração, contribuindo assim para formação de nuvens carregadas e ocorrência de chuva na floresta tropical.

Mas como isso tudo foi transformado em uma obra de design? Em um pequeno terrário, Ghosh recria os quatro fatores necessários para a transpiração – umidade, calor, luz e fluxo de ar – usando uma bomba de ar que mantém a temperatura apropriada para o vapor se transformar em água.

Ghosh testou seu projeto usando água da torneira, que muitas vezes tem cloro e, também utilizou água do lago Hyde Park em
Londres, retirada de uma parte de onde havia muitos patos e portanto muitos rejeitos. Depois do processo de purificação, a água que evaporou da planta e se condensou foi capturada numa jarra.

Depois, ele testou a qualidade da água quanto à presença de nitratos, bactérias e cloro. Após os testes químicos básicos, Ghosh constatou que o Drop by Drop efetivamente purificou a água. O sistema piloto filtrou um copo de água em 12 horas. Embora Ghosh reconheça que não é muito, ele acredita que o conceito pode ser ampliado.

“Eu acredito firmemente que muitas vezes o ponto de intervenção pode estar em um nível mais pessoal para provocar e instigar mudanças comportamentais que acabariam por refletir em toda a sociedade. Eu quero continuar trabalhando neste projeto. Quero contatar as pessoas e engajar as comunidades para fazer isso avançar. Eu realmente espero que ele se torne mais do que apenas um projeto de estudante e provoque mudanças”, diz Gosh no site de seu projeto.

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