Início Sustentabilidade Moradores de Gaza cultivam hortas nos telhados como alternativa à insegurança alimentar

Moradores de Gaza cultivam hortas nos telhados como alternativa à insegurança alimentar

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Desde 2007, os governos egípcio e israelense mantêm um isolamento econômico e comercial à Faixa de Gaza. O objetivo inicial seria enfraquecer politicamente o grupo islâmico Hamas, mas, dez anos depois, é a população civil quem mais sente os efeitos do bloqueio. Apenas suprimentos humanitários podem ser levados até a região, e eles não têm sido suficientes para abastecer a população.

Uma parte considerável do território da Faixa de Gaza é constituído de terras destinadas à agricultura, mas elas ficam perto da fronteira com Israel e são frequentemente atacadas militarmente. Os 1,6 milhão de habitantes vivem    em uma área de 360 quilômetros quadrados, onde praticamente não há espaço para cultivar alimentos.

Nesse cenário difícil, os palestinos precisam se adaptar como podem: alguns usam gás de cozinha para abastecer veículos, outros construíram casas com tijolos feitos de lama, e há também quem aproveite o espaço nos telhados para cultivar seu alimento.

Tudo começou em 2010, quando um programa belga da ONU patrocinou a criação das hortas aquapônicas. 15 residências pobres e lideradas por mulheres foram selecionadas para iniciar o projeto, que otimiza o espaço e os recursos: na falta de solo e de água para irriga-lo, a solução foi criar pequenos ecossistemas que se retroalimentam enquanto produzem comida. Hoje há mais de uma centena de lares usando a aquaponia em Gaza.

Em um tanque com água, são criados peixes, que liberam dejetos ricos em bactérias nutrientes. Essa água é bombeada para a parte superior do sistema, onde ficam as hortaliças e até alguns legumes e frutas. As raízes absorvem os nutrientes e limpam a água, que volta para a parte de baixo, favorecendo a saúde dos animais.

Há até quem consiga produzir o suficiente não apenas para alimentar a própria família, mas até para vender, uma forma de empoderamento econômico incentivada pela ONU. Salsa, aipo, tomilho, tomate, pimentão, cebola, berinjela, rabanete, limões e até feijões são exemplos de alimentos cultivados nos telhados.

Além da função alimentícia e econômica, as hortas se tornaram importantes locais de lazer. Em meio às dificuldades impostas pelo bloqueio egípcio-israelense, famílias e amigos se reúnem nos telhados para conversar e se divertir enquanto observam as culturas. As hortas se tornaram também um sopro de vida em meio ao caos.

Fonte: hypeness