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O relato dos jogadores Neto, Alan Ruschel e Jackson Follmann sobre a tragédia com o avião da Chapecoense é emocionante. A narrativa foi feita para o The Player’s Tribune, site reservado especialmente para estrelas do esporte mundial contarem suas histórias.

O dia 29 de novembro de 2016 entrou para história do como um dos mais tristes da história do esporte mundial. Setenta e um pessoas morreram na queda da aeronave da LaMia por falta combustível na região de Medellín, na Colômbia. E ao lado do jornalista Rafael Henzel e dos tripulantes bolivianos Erwim Tumiri e Ximena Suárez, os três atletas foram os únicos sobreviventes.

Em um dos trechos, o goleiro Jackson Follman, que teve a perna amputada, conta:

“Quando a polícia chegou lá, algumas pessoas que estavam gritando por ajuda antes… eles não estavam gritando mais. Ou suas vozes estavam muito fracas. Foi um momento muito, muito triste. Ele disse: ‘Fique calmo. Você está salvo’. Então ele perguntou a minha idade e o meu nome.Eu disse que eu era o goleiro. Mais tarde, o sargento me disse que foi a cena mais horrível que ele testemunhou na vida. Ele tentava me levantar pelas costas, mas não conseguia porque eu estava sentindo muita dor. E meu pé esquerdo estava pendurado apenas pelos tendões”.

O zagueiro Neto, o último a ser resgatado depois de horas no meio da mata, relembra o momento em que foi encontrado:

“Eu fui o último a ser encontrado. Fiquei sob os escombros por oito horas. Dias depois, os socorristas me contaram o que tinha acontecido. Nas primeiras horas da manhã, boa parte da equipe de resgate já tinha deixado o local do acidente. A polícia ainda estava lá apenas para proteger os corpos e recolher os nossos pertences. De repente, um dos oficiais disse, ‘Ei, eu ouço alguma coisa’. Ele voltou para ver o que era. Ele disse que conseguia ouvir alguém gemendo de dor. O outro policial reagiu, ‘Você está louco. É impossível’. Então o primeiro policial disse, ‘Não, não, não. Fica quieto. Todo mundo fica quieto. Vocês vão ouvir.’ E eles me ouviram gemendo. Então todos correram para onde estava saindo o som”.

Alan Ruschel, que voltou a jogar futebol apenas oito meses depois do acidente, no amistoso contra o Barcelona, também revela suas lembranças e a dor de perder os grandes amigos:

“O momento mais difícil foi quando o acidente começou a ficar mais fixo na minha cabeça. Quando comecei a melhorar, e não estava mais sedado, passei a perceber que as pessoas que eu amava não estavam mais lá. Eu era muito próximo do Danilo, nosso goleiro, e da sua esposa, Letícia, e do seu filho, Lorenzo. Quando eu realmente percebi que o Danilo tinha ido…. foi o momento mais doloroso para mim. O Danilo foi um cara muito especial na minha vida, e eu penso nele todos os dias”.

Veja abaixo o vídeo com o relato dos sobreviventes da Chape:

Por Gazeta do Povo

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